
Em rara oportunidade de assitir à uma apresentação de um artista latino-americano em Florianópolis, Juan Falú tocou no Teatro Álvaro de Carvalho nesta última quarta-feira (13/05), trazendo ao público seu grande repertório baseado nos ritmos populares e folclóricos da Argentina e do continente. O concerto foi promovido pelo Instituto Cervantes, organizador do ciclo "Guitarrísimo", que apresenta os principais intérpretes e repertórios para violão e instrumentos afins da Espanha e Hisponoamérica, países que têm, como o Brasil, o violão como um instrumento profundamente enraizado nas suas culturas musicais . Falú é um violonista e compositor de Tucumán, no noroeste argentino, e carrega consigo toda a profundidade e tradição desta região de seu país, traduzindo isso tudo através da arte de interpretar chacareras, zambas, canavalitos, vidalas, valses e gatos, todos ritmos e danças populares que se espalham no mapa musical da América do Sul.
Durante a apresentação, Falú relembrou em homenagem ao público, composições brasileiras que estão em sua memória desde o período em que chegou a viver no Brasil. "Gente Humilde" (Garoto / Chico Buarque / Vinícius de Moraes), ""Chão de Estrelas" (Sílvio Caldas / Orestes Barbosa), "Manhã de Carnaval" (Luíz Bonfá / Antônio Maria) e "Asa Branca" (Luíz Gonzaga / Humberto Teixeira) estiveram presentes, além de composições próprias e obras clássicas do folclore argentino compostas por Atahualpa Yupanqui e Ariel Ramírez.
Possuidor de refinada técnica ao violão, Falú nos revelou um pouco das tradições populares de introspecção, alegrias e tristezas que sua música pode proporcionar, traduzindo uma interessante parte do nosso continente, sob os retalhos culturais de cada região.
Acompanhe a entrevista de Juan Falú concedida ao Blog Pente Fino Musical:
PFM: É a primeira vez que toca em Florianópolis?
Não, me recordo que estive aqui neste mesmo teatro há 30 anos, ocasião em que me apresentei com o grupo brasileiro Tarancón, famoso na época por interpretar músicas de protesto de compositores latino-americanos.
PFM: Em quais outros aspectos, sua vida pessoal e profissional estão ligadas ao Brasil?
Sempre admirei o Brasil por sua grande música, e também pela difusão que o violão alcança por aqui, assim como na Argentina. Além disso, vivi em São Paulo por 8 anos, período em que estive exilado devido à ditadura militar em meu país.
PFM: Quais são as suas maiores influências dentro de sua formação musical?
Escuto de tudo, e sempre busco estar aberto a vários gêneros e pronto para incorporar ideias novas. Sou auto-didata, e no início escutei muito Andrés Segóvia, Atahualpa Yupanqui e também muita música clássica. Hoje creio que meu estilo é próprio, baseado na mescla de tudo que incorporo.
PFM: Como vê o intercâmbio cultural, especialmente na área da música entre Brasil e Argentina?
Noto que os artistas criam iniciativas, existem afinidades, em se tratando do violão então, são dois países que tem esse instrumento muito presente em suas tradições musicais. Porém, temos todos os outros obstáculos como o preconceito e a falta de apoio público e privado, fazendo com que o público desconheça muito da música de cada país.
PFM: A que outras atividades se dedica?
Sou professor no Conservatório Manuel de Falla, em Buenos Aires e dirijo o ciclo musical Guitarras del Mundo, encontro que reúne prestigiosos violonistas internacionais. Também sou um dos criadores do ciclo Maestros del Alma, no qual se homenageiam as principais referências vivas da música folclórica argentina.
A música latino americana é um mar de pérolas, sempre tenho excelentes surpressas ao conhecer um pouco mais, muito legal esse espaço do blog musical...
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