Na fronteira entre o tradicionalismo e a contemporaneidade de gêneros tão antigos como o fado, é preciso estar atento para diferenciar os verdadeiros artistas, que conduzem dignamente a música em seu avanço por mais um século, dos grupos que apenas querem causar um impacto instantâneo através de remodelações musicais de alvo puramente comercial. António Zambujo é um fadista do nosso tempo, que traz no sangue e na formação toda a tradição, mas que nos devolve a música em estado de frescor propício a este início de século.
Nascido em Beja, no ano de 1975, cresceu ouvindo o fado e os cantos alentejanos. Depois mudou-se para Lisboa, onde desenvolveu sua carreira artística. Foi bastante influenciado pela música brasileira, de que aliás é grande admirador e entusiasta, principalmente da música de Ivan Lins, Caetano Veloso, João Gilberto, entre outros.
Em seus 3 discos lançados, percebe-se que Zambujo prima pela coesão e limpidez musical, conservando o lirismo característico do fado, mas ao mesmo tempo acrescentando uma espécie de lubrificação ao gênero. Aos intrumentos da formação tradicional, como o violão e a guitarra portuguesa, adicionou-se em algumas faixas o contra-baixo acústico e o cello, o que pode causar receio em alguns puristas. No entanto, o resultado é incontestávelmente interessante.
Myspace do artista: www.myspace.com/antoniozambujo

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