Passista, compositor, instrumentista, intérprete e estudioso do samba, Oswaldinho da Cuíca é uma figura emblemática da música brasileira e do samba paulistano. Aos 69 anos de vida e muita chinfra, ele revela passagens de sua biografia no documentário "Oswaldinho da Cuíca: Cidadão do Samba" (2008), produzido por Toni Nogueira, Simone Soul e o próprio artista.O destaque do filme está justamente na preocupação histórica que o velho cuiqueiro tem em narrar a trajetória do samba paulista que, não por acaso, confunde-se com sua própria história de vida. Ponto de extrema importância, é a referência às raízes rurais do samba de São Paulo, quando ele comenta e tenta resgatar a origem do gênero que em seus primórdios ecoava das cidades do interior. Emanado da zona rural, o samba dos mestiços e negros do interior aportava na capital pelo antigo entreposto de mercadorias agrícolas do Largo da Banana (atual bairro da Barra Funda), pois alí se estabelecia um informal ponto de encontro das camadas baixas da cidade e da zona rural, o que perfilou as origens do samba paulistano, entre a influência negra, mestiça e também de imigrantes italianos da capital. Com o passar dos anos, a partir desta eclética mescla, surgiram célebres sambistas como Geraldo Filme, com suas letras que falam do Largo, dos sambas de roda e dos cordões da época, e o genial Adoniran Barbosa, que irreverentemente retratava as situações e os tipos socias característicos da mistura cultural dos habitantes de São Paulo. Os cordões eram as agrupações carnavalescas da época e duraram até a década de 70, quando então os padrões cariocas passaram a ditar a organização alegórica do carnaval, fazendo com que antigos cordões se tranformassem em grandes escolas como a Vai-Vai e a Camisa Verde e Branco.
E assim, entre um caso e outro, uma puxada de cuíca aqui e uma batida de pandeiro alí, a história segue pelas mãos de Oswaldinho e pelos próximos que virão.
E assim, entre um caso e outro, uma puxada de cuíca aqui e uma batida de pandeiro alí, a história segue pelas mãos de Oswaldinho e pelos próximos que virão.



