De personalidade controversa e vida marcada por desatinos e incongruências, Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz da história, morria há exatos 50 anos.Sua infância foi marcada por tragédias como o abandono do pai e grandes ausências da mãe, além de ter caído na prostituição aos 14 anos de idade. Já por volta de 1930, com os EUA ainda sofrendo os efeitos da grande depressão de 1929, Billie inicia sua carreira de cantora de maneira inesperada quando, ao entrar num bar do Harlem oferecendo-se como dançarina, foi prontamente recusada por falta de talento, mas ao ser perguntada pelo pianista se sabia ao menos cantar, Billie soltou a voz e foi logo contratada.
A partir daí seguiu uma carreira que iria revolucionar o jazz. Gravou seu primeiro disco com a big band de Benny Goodman e nos anos seguintes misturou-se artisticamente a músicos do calibre de Artie Shaw, Count Basie, Duke Ellington, Teddy Wilson, Louis Armstrong e Lester Young. Este último foi seu grande parceiro, com quem revelava grande afinidade na sensibilidade artística.
A grande marca deixada por Lady Day foi sua característica vocal extremamente singular, que traduzia-se num canto visceral, com um sofrimento rasgado que cabia dentro de uma voz feminina sem alcance tamanho, mas dilacerante por natureza. Seu fraseado modulado era marcado ora pela intensidade ora pela dicção mínima e rouca, ao mesmo tempo sofrida e sensual. Por sua grande complexidade artística, marcada por estas incongruências no modo de cantar, Billie Holiday passaria a ser uma das figuras mais importantes da música do século XX, que segue influenciando cantoras do mundo inteiro até hoje.
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