Filho de mãe tecelã e de pai violeiro e trabalhador da roça, Lindomar Alves da Conceição, ou simplesmente Domá da Conceição, descobriu sua música baseado nos ritmos tradicionais do centro-oeste como os das folias de reis, as catiras, as toadas, as guarânias, o chamamé e as congadas. Essa região do Brasil é como se fosse um ponto de confluência do raio geográfico e cultural de que é uma espécie de epicentro. É, portanto, um lugar que absorve um pouco de cada região que o rodeia, recebe ecos dos ritmos nordestinos, nortistas, do sudeste rural e da fronteira com o Paraguai e a Bolívia, traduzindo toda esta amálgama cultural em ritmos caboclos ricos em originalidade sertaneja.Domá é um violeiro que representa muito desta cultura presente no coração da América do Sul. Começou sua carreira nos festivais de Goiás e estados vizinhos durante a década de 70, quando também exalava a influência de vários artistas que marcaram aquela época como Bob Dylan e Led Zeppelin, o que o fizera trocar a viola caipira pelo violão de 12 cordas. Anos mais tarde, já pela década de 80, alcançou reconhecimento em festivais, ganhando muitos prêmios, e ao mesmo tempo iniciou uma volta aos ritmos tradicionais aprendidos na infância, afastando-se da influência que havia tido do rock e do pop.
Com a decadência dos festivais, Domá experimentou o ostracismo, vivendo como eremita no interior de Goiás onde, anos depois, foi redescoberto pela folclorista Ely Camargo, que o convenceu de sua autêntica vocação de cantador e violeiro. Domá então trocou o violão pela viola e passou novamente a perambular pelas folias de reis. Também passou a fazer um trabalho educativo por escolas e comunidades mostrando os ritmos tradicionais e iniciou o projeto de gravação de um disco, Anjo Alecrim, finalizado em 2006, com composições próprias e de domínio popular.
Em sua vida de pessoa simples e profunda, o goiano quase sem estudo é praticamente considerado um filósofo. Íntimo da obra de pensadores como Goethe e Nietzsche, Domá diz: “Quanto mais leio esses caras mais me convenço de que preciso continuar tocando minha violinha”.
E nós seguiremos escutando!
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