A música popular constituía-se como representação originalmente popular, ou seja, criada e exercida pelo próprio povo, até as primeiras décadas do século XX. Foi a partir daí, com o advento dos primeiros meios de gravação em cilindro e logo depois em discos, que as expressões e movimentos musicais passaram a ser comercializados e, portanto, direcionados como um negócio, perdendo o caráter estritamente popular de criação e audiência.
Não que esta mudança tenha tirado a qualidade e a autenticidade dos artistas e suas composições, mas é evidente que a partir deste ponto a produção musical passou a ser marcada por questões comerciais e direcionada ao público em forma de consumidores, e não como foco cultural da música popular.
Estava então iniciado o longo período de domínio da produção musical pelas grandes gravadoras, o que em inúmeros casos foi de resultado positivo, haja vista a enorme quantidade de grandes compositores, músicos e intérpretes que marcaram a história da MPB através das décadas. Porém, este viés comercial apregoado pelas gravadoras tornou-se insustentável a partir de meados da década de 80, culminando na exploração comercial sufocante através de produtos musicais de apelo excessivo como o axé, falsos sertanejos, grupos de pagode e outros oportunismos musicais que adentraram pelos anos 90 até os dias atuais, salvo algumas boas exceções.
Como tudo que é exaustivamente explorado se esgota, o que estamos vendo nestes últimos anos é a derrocada das grandes gravadoras, que perdem cada vez mais mercado para as novas alternativas independentes de produção e divulgação musical. Portanto, o cenário aos poucos se inverte, sendo que o público volta a ter a capacidade de discernir e fazer suas próprias escolhas dentre inúmeras opções musicais, multiplicadas pela ferramenta digital da internet, livrando-se aos poucos do dirigismo de consumo ditado pelas gravadoras.
A questão agora é a recuperação deste discernimento próprio do público, que esteve encoberto pela manipulação de suas escolhas por décadas. Apesar da liberdade, esta tarefa não é fácil, pois ao mesmo tempo em que se multiplicaram os meios de produção e divulgação, também cresceu o número de aventureiros digitais sem qualidade artística.
Não que esta mudança tenha tirado a qualidade e a autenticidade dos artistas e suas composições, mas é evidente que a partir deste ponto a produção musical passou a ser marcada por questões comerciais e direcionada ao público em forma de consumidores, e não como foco cultural da música popular.
Estava então iniciado o longo período de domínio da produção musical pelas grandes gravadoras, o que em inúmeros casos foi de resultado positivo, haja vista a enorme quantidade de grandes compositores, músicos e intérpretes que marcaram a história da MPB através das décadas. Porém, este viés comercial apregoado pelas gravadoras tornou-se insustentável a partir de meados da década de 80, culminando na exploração comercial sufocante através de produtos musicais de apelo excessivo como o axé, falsos sertanejos, grupos de pagode e outros oportunismos musicais que adentraram pelos anos 90 até os dias atuais, salvo algumas boas exceções.
Como tudo que é exaustivamente explorado se esgota, o que estamos vendo nestes últimos anos é a derrocada das grandes gravadoras, que perdem cada vez mais mercado para as novas alternativas independentes de produção e divulgação musical. Portanto, o cenário aos poucos se inverte, sendo que o público volta a ter a capacidade de discernir e fazer suas próprias escolhas dentre inúmeras opções musicais, multiplicadas pela ferramenta digital da internet, livrando-se aos poucos do dirigismo de consumo ditado pelas gravadoras.
A questão agora é a recuperação deste discernimento próprio do público, que esteve encoberto pela manipulação de suas escolhas por décadas. Apesar da liberdade, esta tarefa não é fácil, pois ao mesmo tempo em que se multiplicaram os meios de produção e divulgação, também cresceu o número de aventureiros digitais sem qualidade artística.
A nova “democracia musical” atravessa um período de adaptação, e se formos tomar como paralelo a democracia política, veremos que o processo é lento, pois já se vão 20 anos de liberdade política e ainda assim topamos com a influência do que há de mais retrógrado, o patriarcalismo oligarca escondido atrás de bigodes tintos que seguem dando as cartas no país.



