terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rita Lee: 40 anos de rock

Carregando o estandarte de 40 anos de carreira dedicados ao rock brasileiro, Rita Lee traz a Florianópolis seu mais recente show, recheado de sucessos que, aliás, são tantos que só caberiam todos numa apresentação de várias horas de passeio pelo seu ecletismo e criatividade musical.
Seu título de rainha do rock ultrapassa as fronteiras deste estilo e desfila também por bossas, baladas românticas, canções irônicas e outras invenções. E não podia ser diferente, pois bebendo na fonte do tropicalismo, em época de ebulição sonora tanto na música brasileira como estrangeira, Rita assimilou distintas influências criando um estilo próprio e particularmente brasileiro de compor e tocar rock.
Através dos Mutantes, quando fizeram sua primeira apresentação no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967, acompanhando Gilberto Gil na música “Domingo no Parque”, Rita já demonstrava seu espírito de vanguarda e transformação.
O movimento tropicalista com Caetano, Gil, Gal, Tom Zé; o rock inglês dos Beatles, Rolling Stones, The Who; o rock norte-americano, de Elvis e Chuck Berry a Jimmi Hendrix e Janis Joplin; a bossa nova e a música brasileira em geral, foram alguns dos principais componentes que desaguaram no jeito Rita Lee de fazer música. Mais tarde, em carreira solo, suas parcerias com Roberto de Carvalho resultaram em hits presentes no imaginário de qualquer pessoa, independente de faixa etária e gosto musical.
O roteiro do show traz sucessos de todas as fases de sua carreira com lugar cativo no gosto do público, além de músicas que há bastante tempo não canta ao vivo, como "Bwana"(que ganhou nova versão: "Obama"), "Cor de Rosa Choque", a novíssima "Tão" e as releituras da clássica "Baby", de Caetano Veloso, da divertida "Vingativa", das Frenéticas, e "I wanna hold your hand", dos Beatles, que recebe versão intitulada "O bode e a cabra", e vem vestida de forró.
No palco, Rita está acompanhada das guitarras e vocais de Roberto de Carvalho e Beto Lee, Brenno di Napoli no baixo, Edu Salvitti na bateria, Danilo Santana nos teclados, Débora Reis e Rita Kfouri nos vocais.

RITA LEE no show MULTISHOW AO VIVO
Dia 03 de Outubro
Floripa Music Hall – 22 h
Informações: (48)3222-8416

Parque do Vassourão: Cidadania e Cultura

Na edição passada do Jornal da Lagoa, foi veiculada a importante matéria sobre a possibilidade de construção do Parque do Vassourão. Este é um projeto que traria grandes benefícios de maneira geral, tanto para os moradores da Lagoa, de outros bairros e também visitantes de fora da cidade.
Um dos apelos para a construção do espaço, além dos já citados na última edição, seria a possibilidade de utilizar uma parte da área para atividades culturais como apresentações de música, teatro e dança. Com a decadência da pracinha Bento Silvério, o bairro está com raras alternativas de lugares para esse tipo de atividade.
O projeto do parque vem ao encontro de outra idéia defendida nesta coluna anteriormente: a da organização de um festival de música e cultura com maior porte.
A cultura, como meio de expressão popular, precisa de espaços públicos para manifestar-se. Em Florianópolis, e especialmente na Lagoa da Conceição, estas áreas são limitadas e escassas, sendo que a sobreposição do espaço privado em detrimento do público é cada vez mais freqüente. A viabilização do parque seria uma grande conquista para a cidadania.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vanessa da Mata - Perfumes do Sim em Florianópolis

Ela já foi jogadora de basquete, modelo e queria estudar medicina. No entanto, desde sempre teve a convicção da presença da música em sua vida quando, ainda criança, escutava os sons regionais e outros que ecoavam pelas ondas do rádio na sua longínqua cidade de Alto Garças, no Mato Grosso.
Vanessa da Mata firmou-se no cenário atual da música brasileira como uma das melhores cantoras de seu tempo, embora seu caminho tenha sido marcado por superações. No início, apesar da voz ainda insegura, já mostrava presença e personalidade. Hoje, Vanessa é tecnicamente madura, com uma voz límpida e afinada. Também destaca-se cada vez mais como compositora.
O show 'Perfumes do Sim', apresentado em Florianópolis no dia 18/09, foi a oportunidade para conferir tudo isso, num bom arranjo de um apanhado das melhores canções de seus três discos. A noite foi marcada, logo de início, pela presença de um bonito cenário, composto de galhos e flores com diferentes oscilações de cor e luminosidade. Sem dúvida, um detalhe bastante importante pois geralmente os shows que entram em turnê fora dos principais eixos culturais do país, não suportam o traslado de cenários, o que deixa a apresentação incompleta e mais vazia.
A divisão da platéia entre setor de mesas (em frente ao palco) e pista (ao fundo) tiraram um pouco da vibração do show, pois o primeiro setor parecia uma lacuna entre Vanessa e a energia do público da pista. Porém, o excelente repertório, o cenário e a qualidade dos músicos da banda, com destaque para Donatinho (teclados) e Alberto Continentino (baixo), fizeram valer a apresentação, em que não faltaram "Ainda Bem", "Ai, Ai, Ai", "Eu Sou Neguinha", "Joãozinho" e "Boa Sorte".

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um Beirut recheado de influências

Baseada em impensáveis misturas de ritmos, a música do grupo Beirut extrapola as fronteiras e condensa estilos como se fosse um balão de ensaio. Liderada por Zach Condon, de Santa Fé (Novo México - EUA), a banda traz elementos da música tradicional mexicana, evidentes no trabalho March of the Zapotec (2009); elementos da música cigana do leste europeu (região dos Balcãs), presentes no álbum Gulag Orkestar (2006) e até referências da chanson française.
O grupo, que recentemente esteve no Brasil para algumas apresentações, mostrou ter mais pujança sonora em seus discos e menos rendimento nos shows, haja vista a monótona e às vezes desengonçada fluência musical destas performances ao vivo. Na apresentação de São Paulo a qualidade técnica do som não ajudou, ainda que o grau etílico de Zach estivesse mais moderado que na ocasião do show de Salvador.
Ainda assim, a Beirut conseguiu dar o seu recado nesta pequena turnê brasileira, provando que é uma miscelânia muito criativa e interessante no que se refere a fusões de estilos aparentemente tão desconexos e incopatíveis.
Para ter uma noção do trabalho pitoresco da Beirut acessem: www.myspace.com/beirut ou o site oficial do grupo http://www.beirut.com/

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Noite Flamenca no Ciclo Guitarrísimo

Em prosseguimento ao ciclo de apresentações de artistas e expressões culturais hispânicas, o Instituto Cervantes de Florianópolis promoveu espetáculo de Flamenco nesta última terça-feira (08/09), no Teatro Álvaro de Carvalho.
O Flamenco é uma arte secular que caracteriza a cultura espanhola mas que, de fato, remete a um antigo processo de embates étnicos entre povos ciganos, mouros e judeus que habitavam a parte sul da Península Ibérica, especificamente a região da Andaluzia, que esteve sob controle e influência moura muçulmana por sete séculos. Após a reconquista católica ao final do século XV, este substrato cultural, produto destes períodos anteriores, permaneceu vivo assim como a arte flamenca, ainda que enfrentando a resistência da nova ordem cristã.
O trio da apresentação foi composto por Flávio Rodrigues (guitarra flamenca), Pedro Obregón (canto) e Talita Sanchez (baile). No primeiro ato esteve mais presente o toque da guitarra de Flávio que, apesar de brasileiro, mostrou domínio da técnica flamenca ao instrumento, embora houvesse a falta de evidência da alma cigana que não lhe era inerente.
O segundo ato esteve acrescido do canto de Obregón, interpretando temas de Sevilha, Málaga e sua terra natal, Córdoba. A bailarina Talita exibiu-se em atuação profunda e marcante, assim como é característico do Flamenco, e levantou o público que lotava o teatro numa terça-feira chuvosa.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Dama do Caribe em novo disco

Cuba é a menor porção de terra que produz a maior quantidade de verdadeiros artistas, como é o caso de Omara Portuondo, que continua em plena forma vocal aos 78 anos de idade e 60 anos de carreira, atravessando todas as variantes históricas da conturbada ilha dos irmãos Castro. Seu último disco, Gracias, é maravilhosamente arranjado, ao mesmo tempo sutil, leve e profundo. Neste trabalho não é tão acentuada a presença do característico son cubano e dos boleros que marcam fortemente seus discos anteriores.
Assim mesmo, Omara mostra-se igualmente sentimental ao interpretar este repertório mais baseado na canción ou trova, como se vê nas antológicas Ámame Como Soy e Rabo de Nube, respectivamente de autoria dos dois maiores compositores da canção da trova cubana, Pablo Milanés e Sílvio Rodríguez.
Depois do belo disco que lançou em dueto com Maria Bethânia, a cubana continuou próxima da música brasileira, ao gravar O Que Será, com participação de Chico Buarque.
Outros destaques ficam por conta de Cachita, gravada à capela com sua neta de 9 anos; Gracias, faixa título composta pelo uruguaio Jorge Drexler e o clássico lúdico Drume Negrita, do cubano Ernesto Grenet. E aos que não podem ouvi-la sem que entoe um bolero, está presente Lo Que Me Queda Por Vivir, de Alberto Vera Morua.
Chegar aos 78 anos com esta grande sensibilidade e coesão artística não é para muitos. Omara é destas que prova que estes valores são atemporais, e que sua voz e estas canções são como pares eternos.